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Antônio Gaudério
Gaúcho de Rincão dos Mirandas, é dos grandes expoentes do fotojornalismo atual.
Araquem Alcântara
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Sobre o autor
Araquém Alcântara

“ Aos 14 anos, eu queria ser jornalista, quem sabe escritor. Atravessei a adolescência embrenhado nos grandes sertões, veredas, de Lima Barreto, Machado de Assis, J.D.Salinger, Joseph Konrad e do próprio Guimarães Rosa. Em 1970, ingressei na Faculdade de Comunicação de Santos. Logo trabalhava na sucursal do Estadão e Jornal da Tarde. Tudo certo.
Uma noite fui ver uma sessão maldita que um francês, Maurice Legeard, organizava em Santos. O filme era A Ilha Nua, de Kaneto Shindo. Um filme quase sem história, ou palavras. Um casal vivendo com dois filhos numa ilha inóspita. E a faina diária de levantar, buscar água, preparar a terra, a comida, buscar água outra vez, a canoa no trapiche, os pássaros nas pedras, os remos contra as ondas. A força e a beleza da pura imagem. A foto como síntese do dizer. Eu, transido no escuro, fui tendo um negócio. Sai dali tonto, abalroado, chamado. No outro dia uma amiga, Marinilda, mostrou-me umas fotos bem comuns, de álbum de família, feitas por uma Yashica muito caseira. Ainda doente, febril do filme, mal olhei as fotos. Pedi a Yashica emprestada, comprei três filmes preto-e-branco e à noite fui para um cabaré do porto onde costumava ouvir bandas de rock e , com sorte, a canja de algum famoso de passagem. Câmera na mão, dois filmes no bolso, nenhuma técnica na cabeça, nervoso como em toda primeira vez. Mesmo sem coragem para nada, obscuramente sabia que naquela Yashica, naqueles filmes, estava segurando uma vida. Sai tarde, sem apertar o botão. No ponto do ônibus, já amanhecia quando uma das moças do cabaré passou e desafiou: -Quer fotografar, é? Quer fotografar? Pois então fotografa aqui! – Levantou a saia e mostrou o sexo. Foi minha primeira foto. Assim é que, com o relançamento de TERRABRASIL (em junho de 2001), completo 30 anos de pura fotografia. Eu só queria ser jornalista, quem sabe escritor, homem de palavras. Mas numa noite, à meia-noite, fui salvo, ou condenado, por um filme japonês, numa sessão maldita. Entram também na história uma puta no cais, um urubu na calçada, uma mãe-de-fogo nas serras...”
Texto extraído do depoimento de Carlos Moraes sobre o fotógrafo Araquém Alcântara, presente no site oficial do fotógrafo
Desde que clicou sua primeira imagem, da moça do cabaré, não parou mais. Escolheu como tema para seu primeiro ensaio, os urubus de Santos. Eles estavam sempre por ali, sempre próximos ao que sobrava, peixes mortos na praia, detritos em Cubatão. Próximos, sempre, à miséria.
E por aí o processo fotográfico de Araquém o levou a muitos lugares, desde as ruas de sua cidade à Mata Atlântica. Mesmo frilanceando aqui e ali - pela Isto É cobriu as históricas greves do ABC – Araquém não abandonou seus ensaios e projetos pessoais, na direção de uma maior consciência ecológica e social.
O que recolhe na estrada começa a se transformar em livros. O primeiro foi com Burle Marx, Árvores de Minas Gerais. Vieram esplendorosas obras sobre a Mata Atlântica e sobre o complexo lagunar entre os estados de São Paulo e Paraná chamado Mar de Dentro. No livro sobre Santos, Araquém, nascido em Florianópolis, festejou a cidade onde vive desde os 7 anos.
Nessas andanças todas, nessas longas comunhões com a natureza, Araquém já estava gestando sua grande obra sobre o Brasil a partir de uma visita aos seus 36 parques nacionais. Este seria o grande projeto, o apaixonado ensaio. O Livro.
O percurso não foi fácil. O Brasil, as vezes, é longe, caro, confuso. Era preciso, o tempo todo, inventar matérias para revistas, batalhar passagens, hospedagem, comida, transporte, pegar carona. Foram, sim, 10 anos de idas e vindas, paixão e teimosia. De todas, a viagem pela Amazônia, foi a mais fantástica, a mais trabalhosa. De avião, de barco e a pé, quatro meses de andanças, 60 mil quilômetros percorridos, mais de 30 mil fotos.
Livros:
Terra Brasil, 1998
SP 450, 2004
Brasileiros, 2004
Coleção Arte Postal, 2003
Pantanal, 2003
Árvores de Minas Gerais, 1989
Paisagem Brasileira, 2003
Brasil iluminado, 2000
Nossos Parques Nacionais, 1997
Mar de dentro, 1990
Juréia, a luta pela vida, 1988
Santos, 1992
Brasil: Retratos Poéticos, 1996
Brasil Cores e Sentimentos, 2001
Pólos de Ecoturismo no Brasil, 2001
Parques Nacionais: Brasil, 2003
Reserva do Ibitipoca, 2004